Núcleo Interdisciplinar de Cinema e Educação

Formação de professores, cineclubismo e criação audiovisual (PPGCINE/NICE/PROEX/UFS)

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O Núcleo Interdisciplinar de Cinema e Educação (NICE), criado em julho de 2018, surge a partir de reflexões e demandas geradas em projetos de extensão e pesquisa realizados no PPGCINE/UFS, relacionadas direta e indiretamente com cinema e educação. A proposta nasce a partir de uma série de demandas evidenciadas, principalmente através do projeto Nordeste de Invenção: Interlúdios de Cinema, Educação e Direitos Humanos, executado entre os anos de 2016 e 2017 na UFS.

Trata-se da criação de um núcleo permanente de estudos e trabalho com professores e estudantes da rede pública que possibilite a troca de experiências e formação continuada sobre cinema e educação. O NICE nasce primeiro como um projeto de extensão que integra professores e estudantes do Programa de Pós-graduação Interdisciplinar de Cinema (PPGCINE), além de discentes do Curso de Cinema e Audiovisual, do Departamento de Comunicação (DCOS). A ideia é criar na UFS um centro de referência para formação continuada em cinema e educação em Sergipe, com foco em especial nas escolas públicas.

Propostas do NICE
O objetivo é estabelecer um ambiente para a reflexão e desenvolvimento de atividades em cinema e educação entre a UFS e as escolas públicas de Sergipe. Consequentemente, a proposta também impacta os estudantes das escolas onde os professores atuam, sendo eles também o público-alvo do NICE. O objetivo do Núcleo é levar para as escolas o acúmulo teórico e prático de projetos de pesquisa e extensão de cinema e educação da UFS, incentivando o uso do cinema na escola. E, por outro lado, observar e colaborar com as iniciativas em torno do cinema já existentes nesses espaços educacionais. Há demandas, reflexões e ações conjunturais que colocam o cinema para dialogar com a educação, aprofundar-se nas questões que envolvem esses dois temas pode ser uma enorme contribuição para pensar a escola como um espaço da democracia, da autonomia e da liberdade. Refletir sobre as possibilidades e aprofundar a pesquisa sobre experiências de políticas públicas de cinema e educação em outros países podem contribuir com experiências na educação brasileira.

Bergala (2008), por exemplo, relata a experiência de um projeto junto ao Ministério da Cultura da França, refletindo sobre o funcionamento da tradição pedagógica do país em relação ao cinema. Segundo o autor, a entrada do cinema nas escolas acontecia através de duas perspectivas: “conteudista” e “linguageira”. Na primeira, existia uma preocupação no uso temático do cinema, na experiência de assistir filmes para falar sobre o mundo. A segunda, parte do princípio do perigo que o audiovisual carrega como ferramenta ideológica. Para isso, seria importante analisar os filmes e desenvolver nos estudantes uma visão crítica sobre eles. Para o autor seria fundamental pensar o cinema na escola além das perspectivas tradicionais. Outro exemplo fundamental é a contribuição de Fresquet (2013). A pesquisadora avança significativamente na compreensão do cinema na escola como uma ferramenta para emancipação de estudantes e para ruptura de pedagogias embrutecedores e tradicionais. A autora acredita em uma escola que rompa com a ordem explicadora e que leve os estudantes para um contato direto com o conhecimento, o cinema pela sua característica de arte contribui com a ruptura dessa ordem e tradição da pedagogia no Brasil. Trazer a compreensão e discutir esses autores também é uma tarefa a qual o NICE se dedica.

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Formação do NICE
O Nordeste de Invenção foi a versão sergipana de um projeto nacional, o Inventar com a Diferença (ID). O ID foi uma iniciativa da Universidade Federal Fluminense (UFF) que ofereceu formação e acompanhamento a educadores e estudantes de escolas públicas de todo o país, através de oficinas de produção de vídeo, fotografia e som em torno da temática do Cinema e dos Direitos Humanos.

Em Sergipe, o Nordeste de Invenção atuou em três escolas públicas da periferia e do interior do Estado. A partir dessa experiência algumas questões e demandas foram aparecendo. O interesse de professores e estudantes pelo cinema dentro da sala de aula é algo concreto; a carência de espaços de formação para educadores sobre a arte é enorme; e a dependência desses profissionais em projetos externos a escola é, por vezes, a única oportunidade de usar o cinema além das exibições esporádicas em sala de aula. Outros pontos são importantes para compreender a importância de projetos como o NICE.

O surgimento de políticas públicas regulatórias para a educação como a Lei 13.006 que torna obrigatória a exibição de, no mínimo, duas horas mensais de filmes nacionais na escola e a ampliação do horário integral nas instituições públicas do país são indicativos de uma demanda do cinema na escola. Sem um histórico de políticas nesse sentido, o país necessita ampliar a reflexão e a pesquisa para contribuir com a aplicação dessas ações nas escolas brasileiras. A pesquisa em cinema e educação indica possibilidades positivas no encontro entre a escola e o audiovisual.

Desde a constituição do Núcleo percebeu-se uma demanda crescente de professores e gestores, permitindo ao NICE levar às escolas parceiras o acúmulo teórico e prático de projetos de pesquisa e extensão de cinema e educação da UFS, incentivando o uso do cinema em sala de aula, e ampliando sua atuação a partir da formação de grupos de professores das escolas e também de alunos da graduação e pós-graduação envolvidos em projetos, ações e reuniões periódicas, numa rede de trabalho colaborativa. O interesse dos professores e alunos pelo cinema dentro da sala de aula é algo concreto, a carência de espaços de formação para educadores sobre a arte é enorme, e a dependência desses profissionais em relação a projetos externos à escola é, por vezes, a única oportunidade de usar o Cinema além das exibições esporádicas em sala de aula.

A pesquisa e extensão em cinema e educação indica, assim, possibilidades positivas no encontro entre a escola e o audiovisual. Existem demandas, reflexões e ações conjunturais que colocam o Cinema a dialogar com a Educação. Aprofundar-se nas questões que envolvem esses dois temas pode ser uma enorme contribuição para pensar a escola como um espaço da democracia, da autonomia e da liberdade, no sentido defendido por Alain Bergala (2008) e Adriana Fresquet (2013), de pensar o cinema como arte e possibilidade de criação, levando os estudantes a um contato direto com o conhecimento.

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Atividades já realizadas
1. Primeira roda de conversa com o tema “Cinema e Educação no Brasil: estado da arte”. A ideia é trazer, com verbas do PPGCINE, a professora Adriana Fresquet (UFRJ); – Atendimento aos professores que necessitam de orientações sobre acervo cinematográfico para usar em sala de aula, montagem de cineclubes e metodologias de criação com o uso do cinema nas escolas.

2. Parceria com o Programa de Pós-Graduação em Educação Profissional e Tecnológica (ProfEPT) do Instituto Federal de Sergipe. Realização de rodas de conversa com professores e estudantes e apoio nas produções audiovisuais dos discentes.

3. Realização da Mostra de curtas EducaDoc: o documentário na educação dentro do II Seminário Interdisciplinar em Cinema.

4. Realização de oficinas de formação audiovisual e de cineclubismo em escolas do Estado.

5. Roda de conversa Cineclube nas escolas: encontros entre Cinema e Educação.

6. Se essa câmera fosse minha: Produção de um documentário que registrou as ações da UFS entre 2016 e 2017, o Nordeste de Invenção, com o apoio nacional do Inventar com a Diferença. O filme de curta-metragem que fez parte da produção cultural que marcou a comemoração dos 50 anos da UFS;

7. Parceria com a Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura. Atualmente, o NICE tem colaborado com a criação da Plataforma de Cinema e Educação Básica de Sergipe (CINEDS). O objetivo da CINEDS é viabilizar uma formação permanente em torno do cinema e da educação, do cineclubismo e da relação mídia e juventude, priorizando os Direitos Humanos como tema transversal. O projeto pretende também mapear e fomentar uma rede de cineclubes nas escolas públicas. Além ainda de poder reunir, através de uma plataforma virtual, as produções audiovisuais de estudantes e professores do Estado, ofertar uma espécie de curadoria online e materiais pedagógicos.

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Perspectivas
Mesmo com tão pouco tempo de criação, o NICE já conseguiu se tornar um núcleo de referência, demandando o interesse de diversos atores e instituições que trabalham em torno do cinema e da educação. Diante do contexto exposto, pensamos que tornar o NICE um programa é o caminho para poder atuar de forma mais concreta e duradoura, como também expandir as nossas ações.

 

 

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